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ENSAIO

Por que o carimbó é o samba do Norte

Os dois nasceram na roda, no tambor e na festa de quem não tinha salão. Um ensaio sobre parentescos entre o Recôncavo e o Salgado paraense.

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por Walter Bandeira · 7 oct. 2026 · 1 min de lectura

Quem chega a uma roda de carimbó em Marapanim e já frequentou uma roda de samba de terreiro reconhece logo o desenho: o círculo, o tambor no centro, a resposta do coro, a dança que acontece no meio de todo mundo. Não é coincidência. Os dois ritmos são filhos da mesma necessidade de fazer festa com o que se tem à mão.

O curimbó, tronco escavado com couro esticado, cumpre no carimbó o papel que o surdo e o pandeiro cumprem no samba. É ele que segura o chão para a dança e para o canto.

A roda como lugar de encontro

No samba como no carimbó, a roda é aberta. Entra quem sabe a resposta do coro, quem bate palma no tempo certo, quem tem coragem de ir ao meio. A hierarquia existe, mas é a do mestre que puxa o verso, não a do palco que separa artista e plateia.

A roda é a forma mais antiga de democracia musical que a gente conhece.

É por isso que o Clube dos Lisos sempre tratou os dois como parentes. As noites de carimbó e as rodas de samba dividem o mesmo público, os mesmos copos e, muitas vezes, os mesmos músicos.

Diferenças que importam

Nada disso apaga as diferenças. O carimbó tem a flauta, o banjo e as maracas; tem o rio e a mata nas letras. O samba tem o cavaquinho e o partido-alto; tem a cidade e o morro. Tratar os dois como irmãos não é dizer que são iguais, é reconhecer que vieram da mesma casa.